Monique Alfradique

Com uma trajetória sólida e versátil, Monique Alfradique tem se reinventado constantemente na televisão brasileira. Conhecida por seus papéis marcantes em novelas e no teatro, ela agora amplia seu alcance criativo como apresentadora e co-produtora de dois projetos bem distintos e originais: o irreverente Crush Animal (Multishow), que mistura comportamento animal e relacionamentos humanos de forma divertida e provocativa, e o inspirador Beach Life (Canal E!), onde mergulha no universo das praias cariocas com um olhar sensível e curioso.

Com energia renovada e múltiplos talentos em cena, Monique assume não só o protagonismo diante das câmeras, mas também um papel ativo nos bastidores, contribuindo diretamente para a criação e realização dos projetos. Seu envolvimento vai além da atuação: ela participa das decisões criativas, imprime sua visão artística e aposta em parcerias que valorizam o olhar feminino e colaborativo. Nesta entrevista exclusiva à expressão, Monique fala sobre esse momento de reinvenção, os bastidores de seus projetos, o equilíbrio entre os diferentes formatos e revela os hábitos que a mantêm centrada e cheia de vitalidade. Confira:

Expressão: “Crush Animal” (Multishow) mistura amor e comportamento animal de um jeito bem inusitado. Qual foi o maior desafio em dar vida a um formato tão fora da caixa?
Monique Alfradique: Crush Animal realmente é um projeto super diferente de tudo que eu já fiz, misturar amor com comportamento animal soa inusitado, mas no fundo tem tudo a ver com a forma como a gente se relaciona. Acho que o maior desafio foi equilibrar o entretenimento leve com a profundidade das relações humanas, apesar das fantasias e do humor, o programa fala sobre afeto, desejo, e trazer isso à tona com verdade, mesmo em um formato tão lúdico, exigiu bastante entrega. Como apresentadora e co-produtora, eu também participei de várias decisões criativas, o que foi um privilégio, mas também uma grande responsabilidade.

Exp.: Se você fosse uma pretendente no “Crush Animal” (Multishow), com qual animal acha que se identificaria, e por quê?
M.A.: Acho que eu escolheria uma onça-pintada (risos). Ela é forte, independente, observadora e estrategista, além de ter uma presença marcante e imponente.

Exp.: Em “Beach Life” (Canal E!) você explora as praias cariocas sob vários ângulos. Teve algum momento das gravações que te fez olhar o Rio de Janeiro com novos olhos?
M.A.: Beach Life foi uma delícia de fazer! Eu nasci em Niterói e cresci com o mar muito presente na minha vida, mas durante as gravações tive a chance de revisitar as praias cariocas com um novo olhar, mais atento, mais curioso. Foi um daqueles momentos em que você se dá conta de como o Rio é rico em natureza e diversidade, a beleza está ali, mas muitas vezes a gente passa batido. Esse projeto me reconectou com a cidade e com a minha própria história.

Exp.: Enquanto apresenta dois programas, você também volta à novela “Êta Mundo Melhor” (Rede Globo) em um papel cheio de reviravoltas. Como equilibra esses diferentes “tons” de atuação e apresentação no dia a dia?
M.A.: Na verdade, os programas foram gravados antes de iniciar as gravações da novela, então consegui conciliar os projetos de forma tranquila. Mas claro, cada projeto exige um estado de espírito diferente: na apresentação eu preciso estar presente, conduzindo o ritmo do programa, acolhendo os convidados, sendo eu mesma. Já na novela, especialmente com a Tamires, que é cheia de nuances e reviravoltas, entro numa construção mais profunda de personagem, com emoções e conflitos. Acho que o segredo está em me preparar bem e me permitir estar inteira em cada momento.

Exp.: A Tamires de “Êta Mundo Melhor” (Rede Globo) promete movimentar o Taxi Dancing. Qual elemento dessa personagem te atraiu logo de cara?
M.A.: Ser uma personagem escrita por Walcyr Carrasco e dirigida por Amora Mautner já é, por si só, um presente. Mas a Tamires me conquistou desde o primeiro momento. Ela é intensa, ambiciosa, cheia de nuances, chega no Dancing para causar conflitos, mas carrega uma história profunda — marcada pela ambição, pelo desejo de ascensão social, e por uma vulnerabilidade que toca.
Gosto de personagens com trajetórias fortes, fascinantes, que me tiram da zona de conforto, e a Tamires é tudo isso, e ainda dança! Para vivê-la, mergulhei em aulas de dança de salão, aprendi ritmos novos… Foi um processo criativo intenso e delicioso.

Exp.: Ser Paquita da Xuxa foi o seu primeiro grande mergulho no universo da televisão. O que aquela vivência, ainda tão jovem, te ensinou sobre os bastidores do show business e te moldou como artista?
M.A.: Eu já havia feito participações em novelas como Vira Lata, Pecado Capital e outras. Mas minha vivência como Paquita foi fundamental: tive contato direto com o palco, com o público, com a rotina artística. Fiz cursos de teatro, cinema, maquiagem… Tudo isso me ajudou a desenvolver uma base técnica importante. A gente ensaiava muito, tinha disciplina, precisava estar sempre pronta — e essa exigência me trouxe uma base sólida, que carrego até hoje.

Exp.: A personagem Priscila, de “Malhação” (Rede Globo), foi uma vilã que marcou época. Como foi dar vida a essa patricinha?
M.A.: A Priscila foi uma personagem incrível de viver. Uma vilã patricinha, cheia de atitude, ironia e vaidade mas que, por trás da pose, também escondia suas inseguranças e conflitos. Adoro personagens que provocam, que causam amor e ódio ao mesmo tempo, e a Priscila tinha exatamente isso: ela divertia, irritava, criava situações absurdas e não passava despercebida. Foi delicioso mergulhar nesse universo, brincar com o tom cômico e exagerado, e dar vida a essa figura tão marcante.

Exp.: Você já atuou em teatro clássico, como “Comédia dos Erros” e “Escola de Mulheres”. O que o palco representa na sua carreira?
M.A.: O palco tem um lugar muito especial na minha trajetória! Foi onde eu me formei como atriz, no sentido mais essencial da palavra, onde aprendi a estar presente, escutar, sustentar o tempo da cena, me relacionar com o outro e com o público em tempo real.
Fazer teatro clássico, como ”Comédia dos Erros” e “Escola de Mulheres”, foi um desafio e um privilégio. Esses textos exigem precisão, entrega, e um mergulho profundo na linguagem, o teatro me dá chão, me afia, me alimenta artisticamente. É onde tudo começa, e sempre onde eu volto pra me reconectar com a essência do ofício.

Exp.: O que você aprendeu sobre si mesma ao assumir o controle criativo da própria carreira? E como isso mudou a forma como você escolhe seus projetos hoje?
M.A.: Assumir o controle criativo da minha carreira me fez confiar mais na minha intuição e entender o que realmente faz sentido pra mim. Hoje, escolho projetos com mais consciência e busco trabalhos que me desafiem, que tenham verdade e estejam alinhados com quem eu sou como artista.

Exp.: Depois de tantos papéis marcantes como atriz, o que te encantou na possibilidade de estar do outro lado, como apresentadora e co-produtora?
M.A.: O que me encantou foi a possibilidade de ampliar minha voz. Como apresentadora e co-produtora, eu consigo contribuir desde a ideia até o resultado final, participando ativamente da construção do conteúdo, é um exercício criativo diferente da atuação, mas igualmente apaixonante. Adoro pensar no que queremos dizer com um projeto, como vamos tocar o público, me reinventar também faz parte da minha trajetória, estar nos bastidores foi uma descoberta muito potente.

Exp.: Você escolheu dividir a criação dos programas com um time de mulheres. Como essa parceria feminina influenciou o processo criativo e a identidade dos projetos?
M.A.: O olhar feminino traz uma profundidade que ressoa na essência dos programas. Em “Crush Animal”, por exemplo, dividir a criação com a Andrea Batitucci e a talentosa Carol Durão foi uma experiência muito enriquecedora. A gente se escuta, se apoia, constrói juntas, essa parceria influenciou diretamente a identidade dos projetos, que são inteligentes, provocativos e, ao mesmo tempo, acessíveis. Foi muito bonito ver como ideias que nasciam em conversas entre mulheres ganhavam vida na tela com tanta potência.

 

Exp.: Você está sempre radiante e cheia de energia! Qual é aquele hábito de boa forma que faz parte da sua rotina, mas que ninguém imagina? Aquele truque que é quase um superpoder secreto?
M.A.: Pratico exercícios todos os dias, malho, e faço hot yoga, que eu amo, é aquele momento em que corpo e mente se alinham, sabe? A yoga também me abriu a porta para a meditação, algo que antes da pandemia eu nunca tinha conseguido incorporar de verdade na rotina, mas que hoje me faz um bem danado. Além disso, procuro manter uma alimentação equilibrada, sem neuras, mas com consciência. Acho que o verdadeiro truque está em se cuidar, tirar um tempo pra si, ouvir o corpo e respeitar os próprios limites, é isso que me mantém com energia e presença para dar conta de tudo.

Exp.: A gente já te viu brilhar em tantas frentes: TV, teatro, cinema… Tem algum projeto novo vindo aí? Quem sabe algo bem diferente do que já fez?
M.A.: Esse ano está cheio de novidades! Além do “Crush Animal” e da novela, também estou à frente do “Beach Life”, no Canal E!, um programa super especial que ainda não tem data de estreia, mas que já está me dando muitas alegrias. Estou muito empolgada por ocupar esse lugar como apresentadora e, mais ainda, por contribuir criativamente com os dois projetos também como co-criadora. É muito gratificante poder participar de todas as etapas, desde a concepção até a realização, e colocar um pouco de mim em cada detalhe.
Estou vivendo uma fase de expansão, me permitindo experimentar e crescer em diferentes frentes da minha carreira.