
O mês de agosto carrega um significado profundo no combate à violência contra a mulher. Criado em 2016, o Agosto Lilás surgiu como uma campanha nacional de conscientização, instituída pela Lei nº 14.448/2022, com o objetivo de dar visibilidade às múltiplas formas de violência sofridas por mulheres em todo o país e reforçar a importância da Lei Maria da Penha, que completa neste ano seus 19 anos de vigência no dia 06 de agosto.
Mais do que uma campanha, o Agosto Lilás é um apelo por vidas que ainda podem ser salvas. Ele nos convida a sair da indiferença, a olhar com sensibilidade para a realidade de milhares de mulheres que enfrentam a violência dentro de seus próprios lares, lugar este onde deveriam se sentir seguras!
É preciso lembrar: o feminicídio é o golpe final! Mas antes dele, há uma sequência de violências que começam muito antes, em silêncio.
Começa com a desvalorização.
Segue com o controle.
Avança para a ameaça.
Escala para a agressão.
E termina quando ninguém escuta: em morte.
Por isso, falar de violência contra a mulher não é sobre casos isolados. É sobre um ciclo que se repete todos os dias, atravessando classes sociais, idades, religiões e realidades. É sobre reconhecer que o “ele nunca me bateu” não significa ausência de violência. A violência pode ser além da física, psicológica, moral, patrimonial, sexual e todas elas deixam marcas visíveis ou não.
Neste Agosto Lilás, somos chamados a fazer mais do que apenas lembrar. Somos chamados a acolher com empatia, a ouvir sem julgamento, a denunciar com coragem. Porque cada mulher que encontra apoio tem uma chance real de romper o ciclo!
Campanhas Salvam Vidas: O Papel do Comércio, das Redes Sociais e da Sociedade
A violência doméstica não é uma tragédia privada, mas uma questão pública, social e coletiva. E por isso, todos os espaços devem ser aliados na luta contra o feminicídio.
Campanhas de conscientização em salões de beleza, farmácias, supermercados, padarias, academias e estabelecimentos comerciais em geral têm se mostrado estratégias fundamentais para criar rotas seguras de acolhimento. Um cartaz com orientações, uma funcionária treinada, um código silencioso combinado, tudo isso pode fazer a diferença entre a vida e a morte.
Da mesma forma, o uso responsável das redes sociais é uma poderosa ferramenta de informação e mobilização. Compartilhar os sinais de alerta, os canais de denúncia, as formas de acolhimento e os sinais de ajuda é um gesto simples que pode salvar alguém que você nem imagina estar sofrendo.
– Gesto internacional de ajuda – “Signal for help”: palma aberta, polegar dobrado, dedos fechando sobre ele.
– X vermelho na palma da mão: usado com caneta vermelha ou batom para indicar que aquela mulher está em perigo.
Mas afinal, o que fazer se você identificar o sinal de ajuda?
– Se estiver diante de alguém fazendo o gesto da mão (polegar dobrado com os outros dedos fechando sobre ele) ou com um X vermelho na palma, mantenha a calma e não a confronte diretamente;
– Encontre um momento seguro para conversar com a vítima de forma reservada, pergunte se ela precisa de ajuda e como você pode apoiá-la;
– Ofereça seu telefone, indique o Disque 180 ou um local seguro;
– Se houver risco imediato, ligue para a polícia no 190, informando o que observou;
– Jamais compartilhe o gesto em vídeo ou foto nas redes sem o consentimento da vítima, a exposição pode colocar sua vida ainda mais em risco.
Conscientizar salva vidas, escutar acolhe, acolher protege e agir salva!
A violência contra a mulher não é um problema privado. É uma urgência coletiva!
Sejamos, neste agosto e sempre, a rede que protege, a escuta que acolhe, o olhar que compreende.
Porque nenhuma mulher deve morrer por falta de amparo. Nenhuma mulher deve viver com medo dentro da própria casa. Nenhuma mulher deve ficar sozinha.
Por Cláudia Lima de Oliveira Guevara – OAB/SP 328.534
Advogada especialista em Direito das Famílias e Violência Doméstica. Presidente da Comissão de Direito à Convivência Familiar de Crianças e Adolescentes da 40ª Subseção da OAB São Caetano do Sul. Coordenadora do nicho de Violência Doméstica do Projeto Engajados do Grupo de Apoio Jurídico (GAJ). Palestrante e coautora de obra voltada à violência doméstica. Aluna dos programas Maria, Marias e Promotoras Legais Populares de Santo André. Voluntária no atendimento a mulheres em situação de violência em Centro de Referência à Mulher. Certificada como Guardiã Maria da Penha, com capacitação voltada à escuta qualificada e acolhimento de vítimas.


























