
Dona de uma presença marcante e um carisma que transcende telas e passarelas, Cris Vianna é uma das grandes estrelas do cenário artístico brasileiro. Uma grande atriz, ela construiu uma trajetória brilhante, conquistando espaço na TV, no cinema e nas passarelas internacionais antes de se firmar como uma referência na dramaturgia.
Desde sua estreia na televisão, em 2005, na novela América (Rede Globo), Cris chamou a atenção por sua atuação intensa e naturalidade em cena. De lá para cá, brilhou em diversas produções de sucesso, como Duas Caras, Fina Estampa e Império, demostrando versatilidade e profundo domínio artístico. Mas sua força não se limita às telas: no carnaval carioca, sua elegância e energia fizeram história como rainha de bateria, reafirmando sua conexão com a cultura popular brasileira.
Nesta entrevista exclusiva, Cris Vianna fala sobre sua jornada, os desafios da carreira e sua relação com a arte. Com a autenticidade que lhe é característica, ela compartilha suas experiências e revela o que ainda sonha conquistar. Vamos mergulhar na história e nos bastidores da vida de uma das maiores artistas do Brasil:
Expressão: Você integra o elenco de Arcanjo Renegado (Globoplay), série que já conquistou um público fiel. Como você vê o impacto da série no Brasil?
Cris Vianna: Arcanjo Renegado chegou com uma força muito grande e conquistou um público fiel porque traz uma narrativa realista, com personagens profundos que mostram as complexidades da nossa sociedade, especialmente as tensões da segurança pública no Brasil. Para mim, o impacto da série está justamente em provocar uma reflexão sobre essas questões, mostrando o que realmente acontece. É um projeto que dá voz a histórias muitas vezes esquecidas e que conecta o público com uma realidade urgente do nosso país. Fico muito feliz e honrada de fazer parte desse elenco que traz essa representatividade tão necessária.
Exp.: Sua personagem, Maíra em Arcanjo Renegado (Globoplay), é presidente da Alerj e tem uma função política relevante na história. O que mais te atraiu na construção dessa personagem? Houve alguma cena ou momento que foi especialmente desafiador?
C.V.: Interpretar Maíra é um presente e um desafio ao mesmo tempo. Ela é uma mulher inflexível, que não se curva para as coisas que não acredita. Esse perfil me atraiu profundamente, pois é uma personagem que representa a força e a resistência feminina em um espaço historicamente dominado por homens e pessoas brancas. Além disso, o fato de Maíra ser a primeira mulher negra a ocupar a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro é um marco simbólico que me enche de orgulho. Durante as gravações, vivemos cenas de alto teor emocional que exigiram muito de nós.
Exp.: O que você aprendeu nos anos em que trabalhou como modelo e que ainda carrega consigo?
C.V.: Trabalhar como modelo foi uma fase importante para mim. Aprendi a reforçar a disciplina desde cedo e aprendi muito sobre profissionalismo e a importância de cuidar de mim mesma, tanto física quanto emocionalmente. Além disso, a moda me ensinou a importância de expressar minha personalidade e minha cultura através do estilo, algo que levo comigo até hoje em tudo que faço, seja na atuação ou na vida pessoal.
Exp.: O que você sentiu ao receber o convite de Wolf Maya para interpretar a personagem Sabrina em Duas Caras (Rede Globo)?
C.V.: Fiquei muito feliz, fui descobrindo a personagem ao longo da novela. Sabrina era uma mulher com uma história de vida difícil, mas que não se deixava abater. Ela enfrentava o preconceito racial e social com muita dignidade, e eu me identifiquei profundamente com isso. Foi um desafio e tanto! Além da linda oportunidade de trabalhar com grandes atrizes como Chica Xavier, Marília Pêra e Beth Faria em uma só produção, foi enriquecedor.
Exp.: Como a construção da personagem Dagmar dos Anjos em Fina Estampa (Rede Globo) influenciou sua visão sobre maternidade e independência feminina na TV?
C.V.: Interpretar a Dagmar foi uma experiência muito marcante para mim. Ela era uma mulher batalhadora, forte e que cuidava dos filhos sozinha. Ela representa um momento importante dentro da minha trajetória. Além disso, a Dagmar é uma mulher que não se deixava abater pelas dificuldades. Ela enfrentava os desafios da vida com coragem e determinação, sem perder a ternura e o amor pelos filhos. Essa força e resiliência me inspiraram e me fizeram refletir sobre o papel da mulher na sociedade.
Exp.: O que significou para você vencer o Troféu Raça Negra 2010 como Melhor Atriz de Cinema por Besouro (2009)?
C.V.: Receber esse prêmio foi uma honra imensa. Na época fui escolhida pelo voto popular e isso me emocionou profundamente, pois senti que meu trabalho tocou o coração das pessoas. Besouro foi um filme que celebrou a cultura afro-brasileira e a capoeira, e é lembrado até hoje para falar da nossa cultura. Poder representar essa história no cinema foi gratificante na minha carreira.
Exp.: Como foi a experiência de ser rainha de bateria de escolas de samba tão importantes como Grande Rio e Imperatriz Leopoldinense?
C.V.: Estar à frente da bateria é uma alegria e responsabilidade enorme, já desfilei na Vai-Vai também. Foi uma honra indescritível. Pra mim, ser rainha de bateria é representar com respeito e amor a comunidade que confia em você para esse papel tão simbólico. Cada desfile foi único, e eu me entreguei dentro do que eu tinha naquele momento, sempre com muito respeito ao pavilhão e à história de cada escola.
Exp.: Como sua experiência como rainha de bateria influenciou sua interpretação de Juju Popular em Império (Rede Globo) e sua abordagem em outros personagens que carregam elementos do samba e da cultura carnavalesca?
C.V.: A energia, o carisma e a responsabilidade de liderar uma bateria no Carnaval me ensinaram muito sobre presença de palco e conexão com o público. Essa experiência me permitiu trazer autenticidade à personagem, especialmente nas cenas que envolviam desfiles e ensaios de escola de samba. Além disso, compreender as nuances e os bastidores do mundo do samba me ajudou a construir uma Juju mais real e próxima da cultura carnavalesca.
Exp.: O que significa para você ser um ícone de representatividade na dramaturgia?
C.V.: Eu não penso sobre isso (risos). Carrego comigo uma responsabilidade, mas acima de tudo é uma missão bonita. Eu sei o quanto a representatividade importa, então, saber que hoje eu posso ser referência para meninas pretas que sonham em ocupar esses espaços, me emociona, é gratificante. Ainda temos muito o que conquistar, mas fico feliz por contribuir com essa mudança.
Exp.: Ao longo dos anos, você tem se destacado não apenas pelo seu talento, mas também pela sua presença marcante e elegância. Como você mantém seu brilho e elegância ao longo dos anos, provando que maturidade é sinônimo de força, autoestima e autenticidade?
C.V.: Acho que o movimento está em me conhecer e me respeitar cada vez mais. A maturidade me trouxe uma tranquilidade muito grande em saber quem eu sou, no que acredito, e no que quero transmitir com a minha imagem e com o meu trabalho. Elegância pra mim tem muito mais a ver com atitude do que com roupa ou maquiagem. É sobre estar inteira, presente, com autoestima e amor próprio. E isso vem de dentro, da minha história, das lutas que enfrentei e das vitórias que conquistei.
Exp.: Existe algum segredo ou filosofia de vida que você segue para se manter bem física e mentalmente?
C.V.: Para mim, o equilíbrio é a chave. Sempre olhei para o meu corpo de forma cuidadosa, com carinho e respeito. Gosto de manter uma rotina de atividades físicas, que me ajudam a manter a forma e a mente tranquila. Além disso, a leitura é essencial para manter o foco e a serenidade no dia a dia. Procuro equilibrar meu tempo entre trabalho e descanso, e descobrir como realmente me sinto, respeitando meus limites e vontades.
Exp.: Os fãs estão sempre curiosos! Tem algum projeto especial a caminho? Pode nos dar algum spoiler?
C.V.: Tem muita coisa vindo por aí! Estou muito feliz com a série Arcanjo Renegado. Além disso, ainda este ano tem três filmes para estrear, todos muito diferentes entre si, o que me deixa ainda mais animada como atriz. Não posso contar muitos detalhes ainda! Cada um desses projetos me exigiu bastante, mas também me trouxe um enorme crescimento.



























